Comunhão dos Santos,Comunión de los Santos, Communion of Saints, Comunione dei Santi

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A morte da Irmã Lúcia ocorreu há seis anos . Papa permite início do Processo de Beatificação da Irmã Lúcia de Fátima . Faz hoje 6 anos que faleceu a Irmã Lúcia, a última vidente das Aparições de Fátima


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Author: Mons. João Clá Dias, EP
No interior do Carmelo de Coimbra, a célebre vidente era uma freira como qualquer outra. Porém, para quem passava junto aos altos muros da clausura, aquele era "o convento da Irmã Lúcia...
Atendendo a pedido do diário madrilenho "El Mundo", o Fundador dos Arautos do Evangelho enviou-lhe os dois esclarecedores artigos sobre o falecimento da irmã Lúcia que reproduzimos a seguir.
A IRMÃ LÚCIA E OS ENIGMAS DE FÁTIMA
Mons. João Clá Dias, EP
A recente morte de uma humilde carmelita, Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado, na serenidade da clausura na qual viveu cerca de 60 anos, fez saltar de comoção os corações em todo o orbe e trouxe de novo para as manchetes dos jornais o tema "Fátima".

No interior do Carmelo de Coimbra, a célebre vidente era uma freira como qualquer outra. Porém, para quem passava junto aos altos muros da clausura, aquele era "o convento da Irmã Lúcia", uma das crianças a quem Nossa Senhora apareceu em Fátima, em 1917.

Ao transpor os umbrais da morte, essa humilde religiosa foi repentinamente elevada, do apagamento voluntário em que vivia, ao pedestal da notoriedade. A declaração de luto nacional em seu país, a suspensão da campanha eleitoral, a paternal mensagem de João Paulo II, a presença de um enviado pontifício às exéquias, o Cardeal Tarcísio Bertone, junto a todo o episcopado português e numerosas autoridades civis, mostram a importância das aparições de Fátima no panorama dos acontecimentos contemporâneos.

A Irmã Lúcia viu Nossa Senhora, falou com Ela e foi durante décadas a depositária ciosa e fiel do segredo revelado pelo Papa em 2000, depois da beatificação de Francisco e Jacinta.

Porém, quantos enigmas encerra ainda o assunto "Fátima"!...

Por um singular paradoxo e apesar dos esforços feitos pelos videntes para mantê-las em segredo, as aparições ocorridas entre os meses de maio e outubro de 1917 rapidamente se tornaram um acontecimento nacional.

Foi Jacinta, a mais jovem, quem primeiro revelou o ocorrido a sua mãe. A pequena pastora não conseguia conter em si a alegria que lhe causara a belíssima visão da Rainha dos Céus, aquela linda Senhora, "mais brilhante que o sol", e não parava de exclamar: "Ai, que senhora tão linda!" Até que em certo momento confessou à sua progenitora: "Mãe, eu vi Nossa Senhora!"

Em poucas horas toda a aldeia de Aljustrel tomou conhecimento da aparição. A notícia corria como um corisco por vales e montes. A cada mês aumentava a multidão que acorria à Cova da Iria até atingir cerca de 70.000 pessoas no dia 13 de outubro de 1917. Nossa Senhora havia prometido fazer nesse dia um portentoso milagre para que todos acreditassem na autenticidade das aparições.

E o milagre se realizou. Em pleno meio-dia, o sol "dançou" vertiginosamente durante vários minutos diante da multidão atônita, dando a impressão de precipitar-se sobre a terra, para depois voltar ao seu lugar habitual.

Ilusão coletiva do povo crédulo, diziam muitos, embora houvesse gente de todas as classes e condições sociais constatando o milagre. Mas até o testemunho dos incrédulos contribuiu para confirmar a veracidade do acontecimento.
Um conhecido jornal laico da Capital, "O Século", noticiou o milagre com o seguinte título: "Coisas espantosas! Como o sol bailou ao meio-dia em Fátima!"

A partir desse dia, Fátima marcou a História com suas profecias e seus enigmas.

Porém, o mais importante dessas aparições não são seus mistérios e segredos, nem as profecias relativas a

 
acontecimentos já ocorridos - como a aurora boreal que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, mencionada no segundo segredo, ou o "bispo vestido de branco" morto a tiros, de que fala o terceiro.

A essência da Mensagem de Fátima são as maternais palavras de esperança da Mãe de Deus e o meio que Ela põe a nosso alcance para solucionar a crise contemporânea: "Rezai o Rosário todos os dias, para alcançar a paz".

A Mensagem é tão simples que quase somos tentados a exclamar: "É só isso? Nossa Senhora apareceu e ‘arrancou' o sol de seu lugar apenas para pedir que rezemos?"

Sim, essa é a grande profecia. Porque se retomarmos em nossas mãos as contas do Terço, como tantas vezes tem pedido também o Santo Padre, a guerra se afastará do mundo, a humanidade abandonará o pecado, a paz reinará na terra, nas famílias e nas consciências, e a previsão de Nossa Senhora se realizará: "Por fim, meu Imaculado Coração triunfará".
Todas as outras profecias de Fátima não são senão sinais da Providência de que Nossa Senhora fará cumprir a esperançosa previsão de seu triunfo maternal sobre os corações endurecidos pelo pecado.

Que milagres da graça fará a Mãe de Deus para mudar o rumo dos acontecimentos e abrir os corações dos homens à Mensagem do Evangelho?

É este, certamente, um dos grandes enigmas que a revelação do Terceiro Segredo não desvendou.

Será através do Rosário? Sim, mas não só. Em Fátima Nossa Senhora anunciou que Deus queria estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria e que mais tarde Ela viria pedir a devoção dos Cinco Primeiros Sábados. Por um acaso providencial, a Irmã Lúcia ingressou no convento das Irmãs Dorotéias, em Pontevedra, onde se encontrava em 1925 quando Nossa Senhora voltou a aparecer-lhe para pedir a devoção da Comunhão reparadora dos Cinco Primeiros Sábados. Deste modo, a Espanha também ficou ligada de forma especial à Mensagem de Fátima.

Falecida a Irmã Lúcia e revelado o Terceiro Segredo, permanece ainda um último enigma por desvendar. Nossa Senhora, ao aparecer aos pastorinhos, lhes disse: "Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, No dia 13 a esta mesma hora. Depois voltarei ainda aqui uma sétima vez".
Nunca a Irmã Lúcia confirmou essa sétima aparição, prometida por Nossa Senhora. Todos pensavam que se daria com ela em vida. Sua serena morte, tão característica das almas que dormem na paz do Senhor, deixa sem resposta a pergunta, e sem ninguém a quem pedir a solução. Apesar de seus enigmas, Fátima continua sendo ponto de referência para o qual se voltam todos os olhares quando a magnitude dos acontecimentos faz cambalear a segurança e a estabilidade do mundo moderno. Os que têm fé olham para Fátima com esperança e alegria. Os incrédulos se esforçam em negar sua autenticidade, temerosos de se verem obrigados a ceder diante da evidência. Os indiferentes encolhem os ombros sem analisar os fatos, pois a veracidade da Mensagem de Fátima os levaria a agir em conseqüência. Mas todos têm bem presente que as profecias da Santíssima Virgem se realizarão.

Só Ela sabe qual é o momento oportuno para tocar o fundo da alma do homem contemporâneo com maternais palavras de paz e consolação, realizando assim o que profetizou aos três pastorinhos, em 1917: "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará".
COMO INTERPRETAR A MORTE DA IRMÃ LÚCIA?
Mons. João Clá Dias, EP
O falecimento da Irmã Lúcia parece ter colhido o mundo de surpresa. Apesar da avançada idade dessa freira carmelita, sua existência fazia parte do nosso panorama psicológico. Estávamos habituados a ouvir falar dela ao tratar do assunto Fátima; e, falando dela, era-nos impossível não nos lembrarmos de Fátima.

A Irmã Lúcia de Jesus dos Santos, que estava perto de completar 98 anos, era a última dos três pastorinhos aos quais a Santíssima Virgem apareceu em 1917.
As aparições da Virgem em Fátima
Em seis ocasiões, entre maio e outubro de 1917, a Virgem apareceu a três crianças, Lúcia, Francisco e Jacinta, num descampado perto de Fátima, em Portugal.

A primeira vez foi em 13 de maio, quando elas cuidavam dos rebanhos de ovelhas da família. Conforme escreveu a Irmã Lúcia, tratava-se de "uma Senhora toda vestida de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente". Seu semblante era de uma indescritível beleza, nem triste nem alegre, mas sério, talvez com uma suave expressão de ligeira censura. "Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Depois voltarei ainda aqui uma sétima vez."
Na aparição de 13 de junho, a Virgem disse que Jacinta e Francisco morreriam em breve, e assim aconteceu. Lúcia, entretanto, deveria ficar na terra: "Jesus quer servir-Se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração".
Na visão de 13 de julho, a Virgem revelou o famoso "segredo de Fátima". Trataremos dele adiante.

Pouco antes da aparição de agosto, o administrador regional seqüestrou as três crianças, ameaçando-as de usar violência se não negassem as aparições ou revelassem o segredo. Elas chegaram a passar a noite na prisão.

Em 13 de outubro de 1917, data da última aparição, 70 mil pessoas se reuniram em Fátima. A Virgem havia prometido um sinal para que todos pudessem acreditar e, com efeito, a multidão pôde testemunhar o "milagre do sol": o astro "dançou no céu" e pareceu precipitar-se sobre a terra. Esse fenômeno foi observado num raio de até 40 quilômetros do local das aparições.

Poucos anos depois, Jacinta e Francisco morreram, como Nossa Senhora predissera. Em 1925, Lúcia entrou para a Congregação das Irmãs Dorotéias. Quando estava no noviciado, em Pontevedra, a Virgem lhe apareceu, a fim de pedir o estabelecimento da prática da devoção da Comunhão Reparadora dos Cinco Primeiros Sábados: confessar-se, comungar, rezar um terço e fazer quinze minutos de companhia a Ela meditando nos Mistérios do Rosário com o fim de desagravar o seu Imaculado Coração. Noutra aparição, Nossa Senhora pediu que o Papa, em união com todos os Bispos do mundo, consagrasse a Rússia a seu Imaculado Coração. Em 1948, Lúcia transferiu-se para o Carmelo de Coimbra.

Atendendo solicitação das autoridades da Igreja, redigiu quatro relatos das aparições, o último dos quais, de 1941, bastante minucioso.

Cabe ressaltar que as aparições de Fátima de tal modo são marcadas pelos sinais da autenticidade que receberam uma atenção particular da Igreja Católica. É sabido que as autoridades eclesiásticas sempre observam uma cuidadosa distância com relação a revelações privadas. Fátima, no entanto, constitui uma das raras exceções a essa regra, havendo sido favorecida por manifestações de todos os Papas, desde Pio XI, passando por Pio XII, João XXIII e Paulo VI.

Por certo o Pontífice mais envolvido com ela foi João Paulo II. Ele chegou a visitar três vezes o local das aparições, encontrando-se com a Irmã Lúcia, interveio pessoalmente para apressar a beatificação de Francisco e Jacinta e declarou taxativamente que "a Igreja aceitou a mensagem de Fátima" (13/5/1982).
O "Segredo de Fátima"
O famoso segredo era dividido em três partes. Na primeira foi mostrado aos pastorinhos o inferno, no qual podiam ver as almas dos condenados em forma de brasas transparentes e negras boiando num espantoso mar de fogo. Para salvar os pecadores, dizia a Virgem, "Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração". Se a humanidade seguisse seus conselhos, muitas almas se salvariam e se obteria a paz. Do contrário, "no reinado de Pio XI" (1922-1939) viria uma segunda guerra mundial, muito pior do que a primeira. Deus iria punir o mundo por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Papa.

Na segunda parte do segredo, Nossa Senhora disse que, se seus pedidos não fossem atendidos, a Rússia espalharia seus erros pelo mundo (o comunismo), promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons seriam martirizados, o Santo Padre teria muito que sofrer e muitas nações seriam aniquiladas. Terminava dizendo: "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. A Rússia se converterá e o mundo terá um tempo de paz".
A terceira parte do segredo sempre causou sensação, mesmo porque Lúcia não o havia revelado. Entretanto, enviou um relato dele ao Vaticano, num envelope lacrado, com instruções estritas de que fosse aberto em 1960.

Mas esse segredo só foi revelado no ano 2000, por determinação de João Paulo II. Em resumo, tratava-se de um novo convite à conversão e à penitência, acompanhado da visão de um Papa que caminha, vacilante e trêmulo, atravessando uma cidade em ruínas e juncada de cadáveres. Seguido por uma multidão de bispos, padres, religiosos e fiéis, sobe uma escabrosa colina em cujo topo está uma cruz. Ao chegarem ao alto, todos são massacrados por soldados inimigos a tiros e flechadas.
A Igreja sugeriu que isso poderia ser uma alegoria relativa ao atentado contra João Paulo II, na Praça de S. Pedro, em 1981, mas deixava livre a interpretação do complexo texto, admitindo poder referir-se a acontecimentos vindouros. De qualquer modo, o Papa atribuiu sua salvação à Santíssima Virgem, e até entregou ao Bispo de Leiria-Fátima a bala que hoje se encontra na coroa da Imagem.
Mensagem mais atual do que nunca
Não são raras as intervenções espetaculares de Deus no mundo. Basta recordar milagres retumbantes como a travessia do mar Vermelho e o maná oferecido aos hebreus no deserto. O supremo exemplo, nós o encontramos na Encarnação do próprio Verbo Divino, fato de tal magnitude que em torno dele gira a História dos homens.

Fátima parece merecer um lugar de destaque nessa galeria. Podemos dizer, sem medo de exagerar, que constitui o principal acontecimento do século XX. A mensagem ali transmitida por Maria toca de cheio nos principais problemas dos últimos cem anos, tais como as duas guerras mundiais, o avanço do comunismo, os conflitos religiosos e a avassaladora crise moral em curso; aponta-lhes as causas básicas e fornece os remédios. Se acrescentarmos a isso o fato de ter sido a própria Virgem quem serviu de embaixadora do Céu, não há como não lhe atribuir suprema importância.

Mais ainda. Desde 1917, as palavras proféticas da Mãe de Deus ganham cada vez mais uma candente atualidade. Seu apelo vale hoje mais do que há 90 anos. Os problemas por Ela denunciados se agravaram de modo paroxístico.

Ante esse preocupante quadro, como considerar o falecimento da Irmã Lúcia? Alguns pretendem ver nele um sinal de que tragédias apocalípticas estão prestes a se abater sobre a humanidade.

De nossa parte, parece-nos mais importante voltar nossa atenção para a esperançosa promessa da Virgem: "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará".
Aconteça o que acontecer, não devemos temer: com toda confiança, atendamos aos pedidos feitos pela Virgem em Fátima, e tenhamos certeza de que Ela cuidará de nós como de filhos muito queridos.
fonte:(Revista Arautos do Evangelho, Março/2005, n. 39, p. 20 à 23)

Papa permite início do Processo de Beatificação da Irmã Lúcia de Fátima

http://2.bp.blogspot.com/_x1J27Rj99Hk/SPyqATY-zSI/AAAAAAAABUY/XWk3ZuV99GU/s400/irma_lucia_presa.bmpTrês Pastorinhos de FátimaSem necessidade de esperar que passem cinco anos após seu falecimento
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI estabeleceu que pode começar o processo de canonização da Irmã Lúcia dos Santos, uma dos três pastorinhos videntes de Fátima, sem necessidade de esperar os cinco anos depois da morte que o processo canônico estabelece.
A notícia foi anunciada na tarde desta quarta-feira, na catedral de Coimbra, Portugal, pelo cardeal José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, no final de uma missa celebrada no 3º aniversário da morte da Irmã Lúcia.
Trata-se da mesma disposição que João Paulo II tomou para começar o processo de beatificação da Madre Teresa de Calcutá ou que Bento XVI adotou para começar a causa de Karol Wojtyla.
Esta decisão não implica nenhuma concessão no que se refere ao processo de beatificação como tal, que seguirá o curso ordinário, a não ser que o Papa dê uma nova disposição.
Segundo confirma um comunicado de imprensa da Santa Sé, «Bento XVI, acolhendo benevolamente o pedido apresentado pelo bispo de Coimbra, Dom Albino Mamede Cleto, e compartilhada por numerosos bispos e fiéis de todas as partes do mundo, derrogou os cinco anos de espera estabelecidos pelas normas canônicas (cf. artigo 9 das Normae servandae), e dispôs que possa começar-se, apenas três anos depois da morte, a fase diocesana da causa de beatificação da carmelita».
Lúcia de Jesus dos Santos tinha dez anos quando declarou ter visto pela primeira vez, em 13 de maio de 1917, uma senhora que depois identificou como Nossa Senhora, na Gruta de Iria, junto a seus primos Francisco e Jacinta Marto, beatificados por João Paulo II no aniversário das aparições do ano 2000, em Fátima.
Em 13 de outubro de 1930, o então Bispo de Leiria, Dom José Alves Correira da Silva, em uma carta pastoral, declarou dignas de fé as aparições de Fátima e admitiu o culto público. Desde então, o santuário se converteu em um centro de espiritualidade e peregrinação de alcance internacional.
Nascida em 1907, em Aljustrel, a Irmã Lucia se mudou em 1921 para Oporto, e aos 14 anos foi admitida como aluna interna no Colégio das Religiosas Dorotéias, em Vilar, nos arredores da cidade.
Em 24 de outubro de 1925, entrou no Instituto de Santa Dorotéia e ao mesmo tempo foi admitida como postulante no convento que a mesma congregação tem em Tuy, Galícia, Espanha, perto da fronteira portuguesa. Em 3 de outubro de 1928, pronunciou seus primeiros votos. Em 3 de outubro de 1934, emitiu os votos perpétuos e recebeu o nome de Irmã Maria da Dolorosa.
Em 1946, voltou a Portugal e, dois anos mais tarde, entrou no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, onde, em 31 de maio de 1949, professou como Carmelita Descalça, assumindo o nome de Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado.
Escreveu dois livros, um chamado «Memórias» e outro «Chamado da Mensagem de Fátima». Em seus escritos, ela conta como Nossa Senhora e o Menino Jesus apareceram outras vezes nos anos posteriores ao acontecimento de Fátima. Faleceu aos 97 anos, no convento de Coimbra.

BEATIFICAÇÃO DA IRMÃ LUCIA

Irmã Lúcia: reúne em Março a comissão histórica para a beatificação


Em 2008, por altura do terceiro aniversário, o prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, D. José Saraiva Martins, anunciava a antecipação do processo de beatificação e canonização da vidente de Fátima.
Um ano depois, o Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, adianta que a comissão histórica deverá reunir-se durante o próximo mês de Março. Apesar de Bento XVI ter dispensado os cinco anos habituais para o início dos processos de beatificação, D. Albino realça que "tudo isto é muito lento", não havendo uma previsão para a conclusão das diligências.
O padre italiano Ildefonso Moriones, antigo consultor da Congregação da Causa dos Santos, é o sacerdote eleito para ser postulador da causa da beatificação da Irmã Lúcia. Para vice-postulador foi escolhido o cónego Alberto Gil, sacerdote há mais de 50 anos e antigo reitor do Seminário Maior de Coimbra. É a ele que cabe a missão de recolher, analisar e enviar para Roma os milhares de documentos que vão fundamentar o pedido de beatificação da carmelita.
A comissão histórica é constituída por um grupo de cinco elementos, sendo um deles da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Cabe-lhes investigar, exaustivamente, a documentação em torno da Irmã Lúcia, escrita ou não por ela, e averiguar todas as fontes. O Cónego Alberto Gil explica ainda que há também uma comissão de teólogos, "absolutamente secreta", que terá um papel determinante na análise de toda a informação que poderá provar a santidade da vidente de Fátima.
Às duas comissões acrescenta-se um conjunto de 40 pessoas, que conviveram directa ou indirectamente, com Lúcia de Jesus, que serão sujeitas a um inquérito individual. Todos estão sob "juramento de fidelidade", continua o vice-postulador, acrescentando, tal como D. Albino Cleto já o tinha feito, que o processo "não se resolve de um dia para o outro". Reunida toda a informação, os elementos seguem para a Congregação dos Santos, no Vaticano, o que não significa, por si só, a beatificação da vidente.
Nada acontecerá se não houver a comprovação da existência de um milagre, realça o cónego.
Quando veio a Coimbra em Abril do ano passado, onde reuniu no Carmelo de Santa Teresa com a madre superiora, o Bispo de Coimbra e o vice-postulador, Ildefonso Moriones indicava que o processo de recolha deveria durar apenas alguns meses, uma vez que Irmã Lúcia tinha muita informação escrita, ao contrário dos outros dois pastorinhos, Francisco e Jacinta.
Na altura, D. Albino Cleto já dizia que se tratava de uma visão "muito optimista", acrescentando agora o cónego Alberto Gil que tudo está a decorrer dentro da normalidade, sem prazos estipulados.
A Irmã Lúcia faleceu a 13 de Fevereiro de 2005 - poucos dias antes de completar 97 anos -, na cela no Convento de Santa Teresa, onde passou grande parte da sua vida. Antes de ser trasladado para Fátima, por altura do primeiro aniversário da sua morte, o corpo da vidente foi sepultado nos claustros do convento.

Fonte: Agência Ecclesia

Faz hoje  6  anos que faleceu a Irmã Lúcia, a última vidente das Aparições de Fátima

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O falecimento da última vidente encerra uma era na história de Fátima — a dos avisos — e abre outra: a da concretização dos episódios finais anunciados na Cova da Iria
  • Luis Dufaur
Em 13 de fevereiro de 2005, numa humilde e austera cela do Carmelo de Coimbra, os olhos da Irmã Lúcia, aqueles mesmos que em 1917 contemplaram Nossa Senhora e o Anjo de Portugal, fecharam-se definitivamente para esta Terra.
O orbe católico foi percorrido pela emoção. E também por uma cruciante indagação: agora que a última vidente de Fátima faleceu, como serão os acontecimentos? Haverá uma relação entre seu passamento e a concretização dos castigos universais profetizados na Cova da Iria?
Na longa fila do velório, um fiel dizia: “Agora eu me sinto só. É como se uma proteção que eu tinha tivesse desaparecido. Eu sinto necessidade de rezar pelo mundo”. Sem sabê-lo, ele externava o sentimento de muitos outros. Pois a simples presença da Irmã Lúcia na Terra mantinha viva a esperança de mais um misericordioso aviso de Nossa Senhora, de um último esclarecimento vindo através dela.
Porém, a majestade da morte fechou seus lábios. Agora ela jaz num simples túmulo na santa clausura do Carmelo. Sua partida para a eternidade, entretanto, não encerrou a série de acontecimentos iniciados em 1917. É sentimento largamente compartilhado pelos católicos do mundo todo que o “caso de Fátima” entrou numa nova fase. Assim, o renomado vaticanista Vittorio Messori pôde escrever: “Fátima forma um novelo inquietante de mistérios. [...] O desaparecimento da última vidente não fechou o caso. Talvez, mais propriamente reabriu-o, apontando para horizontes desconhecidos”.(1)

Grandiosa missão
A Irmã Lúcia ingressou na História aureolada pela grandeza da Mensagem de que foi portadora e pela sublime missão recebida. Missão colossal que Nossa Senhora confiou-lhe naquele dia 13 de junho de 1917: “Jesus quer servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”.(2) Um mês depois, a Virgem acrescentou: “Virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados”.(3)
Em aparições posteriores, Nossa Senhora e o Menino Jesus ensinaram à Irmã Lúcia a prática da comunhão reparadora nos cinco primeiros sábados. Por fim, em 13-6-1929, durante esplendorosa visão da Santíssima Trindade e do Imaculado Coração de Maria, Nossa Senhora fez-lhe saber: “É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio”.(4)
Aquele foi um momento decisivo na missão da vidente. E ela cumpriu o seu profético dever fazendo chegar naquele mesmo ano o solene pedido ao Papa Pio XI, então reinante.
Longa série de apelos
À primeira vista, dir-se-ia que uma vez transmitido o pedido, sua missão estava cumprida. Pois efetuar a consagração não era da alçada da humilde religiosa, mas do Vigário de Cristo.
Pio XI recebeu a mensagem. Contudo, por razões não divulgadas, não realizou a consagração. Abriu-se então a mais dolorosa e longa fase da missão da Irmã Lúcia: insistir filialmente uma e outra vez ante os sucessivos Pontífices, em favor da consagração que Nossa Senhora desejava e pedira.
Os anos transcorreram sem que ela fosse efetivada. Até que, em nova comunicação íntima, Nosso Senhor fez-lhe saber que o tempo de evitar o flagelo dos erros do comunismo, por meio da consagração, tinha acabado: “Não quiseram atender ao meu pedido. Como o rei de França, arrepender-se-ão, e fá-lo-ão, mas será tarde. A Rússia terá já espalhado os seus erros pelo mundo, provocando guerras, perseguições à Igreja: o Santo Padre terá muito que sofrer”.(5)
Em 21-1-1935, Nosso Senhor comunicou à Irmã Lúcia estar “bastante descontente por não se realizar o seu pedido”.(6) Em cartas posteriores, a Irmã Lúcia retransmitiu novos pedidos e advertências celestes concernentes à consagração.
Mais ainda, em 2-12-1940 ela escreveu diretamente ao Papa Pio XII, instando-o a fazê-la. Pio XII consagrou a Igreja e o gênero humano ao Imaculado Coração de Maria, em 31-10-1942. Mas não preencheu os requisitos fixados por Nossa Senhora. A Irmã Lúcia então comunicou ao Sumo Pontífice, da parte de Nosso Senhor, que, como o ato foi incompleto, fica a conversão da Rússia para mais adiante”.(7)
No Concílio, um lance supremo
Em 1962, abriu-se o Concílio Vaticano II. Este constituiu oportunidade excepcional para o Papa e os bispos de todo o orbe católico ali congregados atenderem aos apelos do Céu e apressarem o fim das calamidades suscitadas pelo socialismo e o comunismo, que até aquela data já haviam causado dezenas de milhões de mortes.
Foi assim que, nesse Concílio, deu-se um lance dos mais dramáticos a propósito de Fátima. 510 arcebispos e bispos de 78 países subscreveram uma petição ao Sumo Pontífice, para que consagrasse de modo especial e explícito a Rússia e as demais nações dominadas pelo comunismo, ordenando que, em união com ele, e no mesmo dia, também o fizessem todos os bispos do mundo. Dita petição foi entregue ao Papa Paulo VI em 3-2-1964, pelo Arcebispo de Diamantina (MG), Dom Geraldo de Proença Sigaud.
Mas tal apelo não teve o eco esperado. Paulo VI “confiou o gênero humano” ao Imaculado Coração de Maria em 21-11-1964. Mais tarde, João Paulo II, em 13-5-1982 e 25-3-1984 consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria, sem fazer menção nominal da Rússia. Nenhum desses atos — segundo a Irmã Lúcia — satisfez as condições impostas por Nossa Senhora.
Véu de mistério
Em 1989 a História virou mais uma página. Em meados daquele ano, a Irmã Lúcia começou a julgar válida a consagração efetuada por João Paulo II em 25-3-1984. Até então, ela própria a considerava inválida, do ponto de vista do pedido de Nossa Senhora. Para esta mudança, a Irmã Lúcia não aduziu nenhuma revelação sobrenatural, deixando claro que estava formulando uma opinião pessoal.
Esse aspecto do entardecer da vida da Irmã Lúcia não oblitera o fato essencial: ela cumpriu sua obrigação de comunicar ao Papa o pedido de Nossa Senhora, de consagrar explicitamente a Rússia e estabelecer a devoção ao seu Imaculado Coração.
Hora dos castigos divinos?
Quanto ao restante da Mensagem, pode-se supor que a concretização dos misericordiosos mas terríveis lances finais, previstos em Fátima, estão por ocorrer. Eles visam à conversão da humanidade pecadora, que não atendeu como devia os incessantes e renovados avisos, pedidos e advertências de Nossa Senhora no sentido de uma mudança de vida.
Para tentar lançar luzes sobre esses misteriosos acontecimentos, poder-se-ia indagar se há fatos no horizonte do acontecer humano que os prenunciam.
Fatos que abonam a hipótese
O recente e devastador tsunami, no oceano Índico, não terá sido a ouverture da etapa final dos castigos previstos em Fátima? A furiosa ofensiva muçulmana contra os restos de Civilização Cristã ainda existentes, não é um acontecimento que vai também nessa linha? Nos quatro cantos da Terra, constatam-se perseguições sangrentas a católicos, com milhares de mártires por ano.
Os erros socialistas e comunistas espalhados pela Rússia no mundo, e portanto no Brasil, geraram uma inimaginável onda de hostilidades contra o que resta da ordem cristã e contra a própria Igreja Católica. Aborto, eutanásia, “casamento” homossexual, laicismo beligerante, experiências genéticas anti-naturais e clonagem humana, demolição da propriedade, extinção das legítimas tradições... A lista é longa.
Limitemo-nos a um exemplo. A Espanha sofreu sanguinária guerra civil, atiçada pelo socialismo e comunismo internacional, entre 1936 e 1939. Em 4-5-1943, a Irmã Lúcia enviou um recado de Nosso Senhor aos bispos espanhóis, para que “determinem uma reforma no povo, clero e ordens religiosas. [...] Se os Srs. Bispos da Espanha não atenderem aos seus desejos, ela [a Rússia] será mais uma vez ainda o açoite com que Deus os pune”.(8)
Tampouco este aviso foi ouvido. Mas, humanamente falando, nada fazia supor semelhante flagelo. Pois, desde o fim da guerra civil, a Espanha trilhou uma senda rumo à prosperidade, em que os conflitos ideológicos pareciam hibernados para sempre. Até que, em 11-3-2004, o Islã revolucionário desferiu feroz atentado terrorista, o socialismo assumiu o poder e desencadeou desapiedada ofensiva contra o catolicismo. E isso realizou-se a ponto de o Primaz da Espanha, D. Antonio Cañizares, Arcebispo de Toledo, afirmar que os poderes públicos e a mídia estão “dispostos a despedaçar” a Igreja e fazê-la “desaparecer”, pela “eliminação física” e pelo “ataque moral”.(9)
Temores da Irmã Lúcia
Fontes dignas de crédito afirmaram em Portugal que a Irmã Lúcia desejava ir a Lisboa para orar especialmente na recente eleição que concedeu maioria absoluta ao socialismo no Parlamento do país. O gesto teria sido inaudito.
Previra ela, nessa votação, um sinal introdutório desta profecia da Bem-aventurada Jacinta: “Um terrível cataclismo de ordem social ameaça o nosso País e principalmente a cidade de Lisboa. Desencadear-se-á, segundo parece, uma guerra civil de caráter anarquista ou comunista, acompanhada de saques, morticínios, incêndios e devastações de toda espécie. A capital converter-se-á numa verdadeira imagem do inferno. Na ocasião em que a Divina Justiça ofendida infligir tão pavoroso castigo, todos aqueles que o puderem fazer fujam dessa cidade”.(10)
Se o socialismo português se alinhar com o socialismo espanhol, esta hipótese tornar-se-á especialmente verossímil.
Sinais de uma conversão?
Rumando numa direção inteiramente oposta, constata-se uma onda conservadora de âmbito universal, de retorno aos valores morais e às instituições tradicionais, como a família. O caso dos EUA é paradigmático, mas o fenômeno atinge o mundo todo. Não será ele fruto inicial de um trabalho da graça no cerne de inúmeras almas? Pode ser que ele prepare conversões, que estão na medula do triunfo do Imaculado Coração de Maria.
O falecimento da Irmã Lúcia encerrou um ciclo e abriu outro, talvez mais impressionante, na execução da Mensagem de Fátima. Neste ciclo, mais do que as especulações humanas, a Providência Divina, manifestando-se através dos fatos, dirá a palavra final.
É mais à linguagem dos acontecimentos que nós católicos devemos estar atentos, porque a sucessão dos avisos não produziu os misericordiosos efeitos desejados por Nossa Senhora.
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Notas:

1. “Corriere della Sera”, 15-2-05.

2. Apud Antonio Augusto Borelli Machado, As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia, Artpress, São Paulo, 1997, 46ª ed., p. 41.

3. Op. cit., p. 47.

4. Op. cit., p. 77.

5. Op. cit., pp. 78-79.

6. Op. cit. p. 79.

7. Op. cit., p. 84.

8. Op. cit., p. 84.

9. “Agência Católica Internacional” (ACI), 16-8-04.

10. Antonio Augusto Borelli Machado, op. cit., p. 65.


A relíquia e o semblante
§ José Narciso Soares
O sol brilhava e a tarde apresentava-se seca e fria, quando iniciei a viagem rumo a Coimbra, a fim de prestar a minha homenagem póstuma à última vidente das aparições de Fátima, a Irmã Lúcia de Jesus, carmelita descalça no Carmelo de São José há mais de 50 anos, falecida no dia anterior, domingo, 13 de Fevereiro, aos 97 anos de idade.
Aquele prédio vetusto já me era familiar dos tempos de estudante em Coimbra, onde, por vezes, assistia aos atos litúrgicos; ou ainda ouvia o cântico do ofício nas tardes de domingo. Durante a viagem, procurei recordar-me daqueles tempos do início da década de 1970: das religiosas que, longe de qualquer protagonismo mundano, rezavam e ofereciam sacrifícios por todos nós; das suas orações que evolavam até o Altíssimo, e que faziam relembrar a promessa feita durante as aparições: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”.
Ao aproximar-me da zona adjacente ao convento, grande era o movimento de pessoas e de carros, para surpresa minha, pois esperava que houvesse muito menos gente para rezar ante o túmulo de uma religiosa que, embora privilegiada com a mais importante aparição mariana do século XX, vivera voluntariamente quase sempre em reclusão. Mas o ambiente era outro: milhares de pessoas acotovelavam-se à porta do Carmelo, para rezar ou manifestar uma derradeira homenagem à Irmã Lúcia. Vi gente de todas as classes sociais, das mais humildes às mais abastadas; de todas as idades, desde os muito jovens até os mais provectos, passando pelos de meia idade; de diversos lugares de Portugal e até do estrangeiro: ninguém arredava pé.
Quando finalmente entrei, depois de mais de três horas de espera, pude contemplar, embora de maneira fugaz, o corpo da Irmã Lúcia que repousava na urna funerária, e o que nele mais chamava a atenção: o seu semblante sereno que, quanto a mim, jamais se me apagará da memória.
Dela guardo também, ainda do tempo em que freqüentava o Carmelo, um terço que ela própria confeccionara, e que me acompanha há mais de 30 anos. Hoje, depois da sua passagem à eternidade, conservo-o como uma relíquia.

fonte:Sacralidade

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